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Somos o que protegemos.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

A day

Não compreendo por que as dificuldades existem, mas seria bem mais difícil viver nesse mundo sem que você soubesse que a vida e as pessoas são valiosas...
Um dia, ele conheceu os dias nublados... Conheceu a noite...
Conheceu aquela menina que gostava muito de desenhar e de escrever... Aquela garota ali, naquele fim de mundo... Sem ninguém... Que conheceu bem e depois percebeu que nem tudo em sua vida era aceitável...
Aquela força de viver era a obrigação dela. Ninguém nunca verá em um outro alguém o que havia nela:
beleza, simplicidade e compreensão...
E, além de tudo, carregava um peso nas costas... O medo do abandono... Sem pai, nem mãe, sem uma vida normal... Presa àquela maldita casa... Eu nunca iria imaginar que aqueles dias que estavam mais difíceis eram os seus últimos... Sem sol, sem chuva, sem uma mão pra segurar a sua...
Tendo companhia só da dor...Das tensões e preocupações que entortavam sua coluna... Nem de joelhos poderia ficar para orar a Deus...

Um dia ela disse:
"Quando eu morrer, o mundo vai girar mais rápido, pois sou a âncora que prende você nesses dias difíceis..."

Sei que existe um céu para cada pássaro e um jardim para cada flor. Essa foi a pior das loucuras que ela havia feito... Uma vida em troca do medo, esse medo do abandono... Ninguém nunca iria esperar isso dela...
Aquela pessoa guerreira...

Até hoje os trovões dizem que ela ficou dois dias sentada naquela varanda, de cara pra parede,
de frente com aquela espera...
Que era por ele...

Ela existe em todos e em cada lugar, em cada canto vazio, em cada silêncio, em cada morte horrível,
em cada ato de coragem e solidão, em cada suicídio, em cada beleza, em cada unha pintada de preto,
em cada desenho, em cada laço de vida ou morte...
Em cada desespero, em cada agonia...
Em cada perdão...
Em cada adeus...


By Lilium

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Ópio


O teu silêncio é uma nau com todas as velas pandas...
Brandas, as brisas brincam nas flâmulas, teu sorriso...
E o teu sorriso no teu silêncio é as escadas e as andas
Com que me finjo mais alto e ao pé de qualquer paraíso...

Meu coração é uma ânfora que cai e que se parte...
O teu silêncio recolhe-o e guarda-o, partido, a um canto...
Minha ideia de ti é um cadáver que o mar traz a praia... e entanto
Tu és a tela irreal em que erro em cor a minha arte...

Abre todas as portas e que o vento varra a ideia
Que temos de que um fumo perfuma de ócio os salões...
Minha alma é uma caverna enchida pela maré cheia...
E a minha ideia de te sonhar uma caravana de histriões...

Chove ouro baço, mas não no lá fora... É em mim... Sou a Hora,
E a Hora é de assombros e toda ela de escombros dela...
Na minha atenção há uma viúva que chora...
No meu céu interior nunca houve uma única estrela...

Hoje o céu é pesado como a ideia de nunca chegar a um porto...
A chuva miúda é vazia... A Hora sabe a ter sido...
Não haver qualquer coisa como leitos para as naus!...
Absorta em se alhear a si, teu olhar é uma praga sem sentido...

Todas as minhas horas são feitas de jaspe negro,
Minhas ânsias todas talhadas num mármore que não há,
Não é alegria nem dor esta dor que me alegro,
E minha bondade inversa não é boa nem má...

Ah! Como esta hora é velha!... E todas as naus partiram!...
Na praia só um cabo morto e uns restos de vela falam
Do longe, das horas do Sul, de onde os nossos sonhos tiram
Aquela angústia de sonhar mais que até pra si calam...

O palácio está em ruínas... Dói ver no parque o abandono
Da fonte sem repuxo... Ninguém erguer o olhar da estrada
E sente saudades de si ante aquele lugar-outono...
Esta paisagem é um manuscrito com a frase mais bela cortada...

A doida partiu todos os candelabros glabros,
Sujou de humano o lago com cartas, muitas...
E a minha alma é aquela luz que não mais haverá nos candelabros...
E que querem ao lago aziago minhas ânsias, brisas fortuitas?

Por que me aflijo e me enfermo?... Deitam-se nuas ao luar todas as ninfas...
Veio ao Sol e já tinham partido...
O teu silêncio que me embala é a ideia de naufragar,
E a ideia de a tua voz soar a lira dum Apolo fingido...

Todos os acasos fundiram-se na minha alma...
As relvas de todos os prados foram frescas sob meus pés frios...
Secou em teu olhar a ideia de te julgares calmo,
E eu ver isso em ti é um porto sem navios...

Ergueram-se a um tempo todos os remos... Pelo ouro das searas
Passou uma saudade de não serem o mar...
Em frente ao meu trono de alheamento há gestos com pedras raras...
Minha alma é uma lâmpada que se apagou e ainda está quente...

E eu deliro... De repente pauso no que penso...
Fito-te
E o teu silêncio é uma cegueira minha... Fito-te e sonho...
Há coisas rubras e cobras no modo como medito-te,
E a tua ideia sabe à lembrança de um sabor medonho...

Por que não ter por ti desprezo? Por que não perdê-lo?
Ah, deixa que eu te ignore... O teu silêncio é um leque-
Um leque fechado, um leque que aberto seria tão belo, tão belo,
Mas mais lindo é não o abrir, para que a Hora não peque...

Gelaram todas as mãos cruzadas sobre todos os peitos...
Murcharam mais flores do que as que havia no jardim...
O meu amar-te é uma catedral de silêncios eleitos,
E os meus sonhos uma escada sem princípio, mas com um fim...

Há tão poucas pessoas que amem as paisagens que não existem!...
Saber que continuará a haver o mesmo mundo amanhã- como nos desalegra!...
Que o meu ouvir o teu silêncio não seja nuvens que atristem
O teu sorriso, anjo exilado, e o teu tédio, auréola negra...

Suave, como a brisa fresca de outono, a tarde rica desce...
Não chove já, e o vasto céu é um grande sorriso imperfeito...
A minha consciência de ter consciência de ti é uma prece...
E o meu saber-te a sorrir é uma flor viva e fresca em meu peito...

As, se fôssemos duas figuras num longínquo vitral!...
As, se fôssemos as duas cores de uma bandeira de glória!...
Estátua acéfala posta a um canto, poeirenta pia batismal,
Pendão de vencidos tendo escrito ao centro este lema - Vitória!

O que é que me tortura?... Se até a tua face calma
Só me enche de tristezas e de ópios de ócios medonhos...
Não sei... Eu sou uma louca que estranha sua própria alma...
Eu fui amada em efígie num país para além dos sonhos...

Lilium S2

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Cansei!

Cansei de estar tão exausta, de ter marcas no rosto que, pela pouca idade, nem eram para estar aqui. Cansei de ter o coração tão frouxo, levado aos trancos pelas verdades que enxerguei e senti.
...o amor é mesmo uma coisa boa, mas quão boa é a falta dessa pessoa? Não mais poder ver, tocar e ouvir; não poder me desculpar pelos erros que tanto jurei não cometer e cometi.
É o consolo das poucas lembranças que minha frágil memória ainda sustenta? É a crença em rever, fazer o inacreditável tornar-se palpável para ter forças e continuar? Será que minha fé basta??

Cansei de contar os dias que chovem para tentar dormir...e não conseguir.
Cansei de me prolongar, me acalmar, perdoar, não chorar, gritar e fingir!

Por que meus sentimentos é que não se transformaram em cinzas?

terça-feira, 15 de maio de 2012

O desejo de retornar

Quem me dera eu pudesse voltar no tempo! Brincaria mais com as minhas bonecas e aproveitaria cada segundo que tivesse pra correr. Talvez parasse de colar unhas postiças no exato momento em que reparei que minhas unhas estavam crescendo. Não ficaria calada quando precisasse falar nem derramaria lágrimas por quem não as merecesse. Abraçaria e sorriria mais. Sairia com as amigas se hora pra voltar e dançaria até cair. Comeria mais brigadeiros e me incluiria no time de futebol mesmo sem saber jogar. Não deixaria que me rebaixassem ou exigissem de mim algo que eu não poderia ser. Não sofreria por amor nem entregaria aquelas cartas a seu patético destinatário. Corrigiria erros e desejaria passar novamente por algumas experiências. Mas, enquanto a máquina do tempo não aparece, só me resta lembrar o que não me escapa da memória: viver o presente, evitando arrependimentos, e fazer o possível para que não seja necessário me lamentar pelo que não fiz.

Rosas de todos nós

Dentro de cada um de nós há uma rosa: são as qualidades dadas por Deus.
E também dentro de cada um de nós há os espinhos: são nossos defeitos.
Muitas vezes, olhamos pra nós mesmos e vemos apenas os espinhos, os defeitos. Nos desesperamos, achando que nada de bom pode vir de nosso interior; Nos recusamos a regar o bem dentro de nós e, consequentemente, isso morre.
Não percebemos o nosso potencial. Algumas pessoas não vêem a rosa dentro delas mesmas.
Um dos maiores dons que uma pessoa pode possuir ou compartilhar é ser capaz de passar pelos espinhos e descobrir a rosa que existe dentro de si.
Descobrir também o amor que lhe permitirá olhar uma pessoa e destingir suas qualidades, aceitando naturalmente os seus defeitos. Dessa forma, podemos desabrochar muitas rosas dentro do jardim que existe em cada um de nós.

"É apenas com o coração que alguém pode ver corretamente.
O essencial é invisível pro olho."

terça-feira, 24 de abril de 2012

O que mais

Quantas vezes o pudor nos salvou
E a minha vontade de sempre buscar você
Pedacinho de amor delirante
Pendurada no seu pescoço
Em um sábado de chuva às cinco da tarde

Deus sabe como me dói te deixar
E te olho enquanto você dorme
Mas não te acordarei
É que hoje a esperança se esgotou
Porque o que ficou de nós dois já não a alcança

Você é o que eu mais quis na vida
É o que eu mais quis...

Quantas vezes eu quis fazer tudo bem
E pequei por falar demais
Sem saber onde, como nem quando
Todos esses anos caminhando juntos
Agora não parecem muitos

Deus sabe todo o amor que juramos
Mas agora nada é como antes
Já não nos enganaremos
Pois eu sou uma mulher no mundo
Que fez tudo o que pode
Não se esqueça nem um segundo

Que você é o que eu mais quis na vida
É o que eu mais quis...

terça-feira, 3 de abril de 2012

Momentos e reflexos

O que foi aquilo?
O maior amor de todos...
Muitas pessoas acham que a vida é um reflexo ou um momento eterno, mas nem todos sabem ou conhecem um reflexo e um momento.
Eu digo no tipo de reflexão que alguns constroem ou buscam, como algo que ocorre quando menos esperamos...
Você pode querer ou desejar, mas tudo que irá ganhar é uma enorme sensação de solidão... Eu tive o meu momento e o meu reflexo: é como um flash que passa e nos deixa cego e sem nada.

Assim se foi o dia de amanhã, onde você fez planos e contou com alguém, mas esse alguém não poderá ir mais a frente, pois agora é só mais uma lembrança, perdida entre as milhares e milhares que te tiram o sono, ou até mesmo a vontade de ir mais além. Você não dorme e mergulha naquela noite mais escura e longa...
Daí pergunta: onde eu fui parar....?

Você está só, e a maioria das vezes sente que chegou tarde ou perdeu um voo, daqueles que levam tudo que você mais gosta, e só as lágrimas e esse desespero ficam, pra que te façam companhia... Aquele momento em que estamos sozinhos, só com um vazio no peito e um olhar perdido...

Você é mais um pássaro em um jardim devastado, um alguém que não pode mais reconstruir seu coração, um alvo fácil da dor...

Às vezes, olhamos para um canto ou para o céu, é possível enxergar aquilo que mais esperamos... Aquela pessoa que entrou por aquela porta e nunca mais saiu... Aquele único rosto que era capaz de te fazer sorrir verdadeiramente... Aquele rosto que agora é só mais uma imagem na sua memória.
Ele era alguém, que me ensinou o que é o certo...
Nem todos se arriscam em dizer "eu te amo", mas eu por te amar arrisquei até o fim....
Um dia, implorei pra que você ficasse... Naquela noite chuvosa eu soube o peso de uma promessa... O peso de se ver só... O peso de te levar aqui dentro... O peso de mim mesma...
Eu suportei.


Só te peço que nunca me chame de fraca, pois fraco é aquele que nunca se faz disposto a tudo pelo que ama.

"Muitos lutam por viver, eu luto por VOCÊ."